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Observar e analisar: Eis uma lição

Atualmente estou lendo um livro que descobri a pouco tempo, apesar de ser uma publicação antiga. Falo do livro O que Jesus via do alto da cruz, de Sertillanges, e apesar de parecer apenas um livro reflexivo pode nos trazer interessantes propostas de pensamento.

É fato que o evento da crucificação de Jesus esta para além de mera piedade cristã, é um fato exaustivamente comprovado historicamente, por cristãos e não cristãos. E falamos aqui apensa da crucificação e não da ressureição, tema que faz reduzir o número de convictos a cerca do comprovação histórica. 

Mas lendo este livro, pareceu-me insistente a ideia de que é possível aproximar-se do comportamento real de pessoas que viveram a séculos. milênios atrás. De fato, o autor deste livro utiliza-se da pormenorização do ambiente, ruas e construções, também do calendário rigorosamente seguido pelos judeus devotos e também da postura adotada pelos romanos diante da colonização desta região. Diante destes dados, Sertillanges consegue se aproximar ao máximo dos sentimentos e consequentes atitudes diante do evento cruel de condenação do filho de Maria e José. 

Esta observação me faz pensar o quanto o ser humano perde - e perde muito mesmo - ao não aguçar esta análise contemplativa dos fatos históricos, e isto valendo também para a própria vida de cada um, ou seja, sua própria história pessoal, cheia de intrigas, invejas, risos, choros, brigas, reconciliações, dramas e alegrias. Nossa história pessoal seria um campo valioso para aguçarmos este sentido observatório analítico, além de fundamental para nosso desenvolvimento mental e de caráter.

Uma coisa precisa ficar clara neste tema, o fato de que não estou falando em apenas observar pessoas, atitudes e coisas do passado e mesmo analisá-las de modo passivo, qualquer conhecimento simplesmente passivo não passa de um cadáver exposto, mas que continua sem vida. É necessário que esta observação analítica que se pretende resulte em impulsos reais, que nos façam, por exemplo, conhecermo-nos a nós mesmos para evitar reações fantasiosas sobre si. Toda a atividade intelectual ou contemplativa - num sentido mais cristão - pressupõe uma postura reativa com aquilo contemplado e analisado. Somos entes racionais e cheios de eventos distintos em nossa história pessoal e isto pode ser nosso triunfo ou nossa queda.

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