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Mostrando postagens de junho, 2005

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Um mergulho na infância

Comemora-se este ano o bicentenário de Hans Christian Andersen (1805-1875), escritor dinamarquês que com suas histórias enriqueceu a infância de muitas gerações. Andersen nasceu em Odense: seu pai era um sapateiro, a mãe trabalhava como lavadeira, e durante a noite contava ao filho as histórias do folclore dinamarquês. Foi ela quem encorajou Andersen a escrever suas próprias fábulas e promover pequenos espetáculos com marionetes. Não há maior homenagem a Andersen do que dividir com meus leitores o seu O soldadinho de chumbo, que eu costumava chorar sempre que ouvia minha mãe contando. A seguir, uma versão resumida: Era uma vez 25 soldados de chumbo, todos irmãos, como brotos que vinham da mesma planta. Cada um deles carregava seu fuzil, vestidos em seus lindos uniformes vermelho e azul. As primeiras palavras que o pequeno batalhão ouviu vieram dos lábios de um menino: “Soldados, soldados!” O garoto festejava seu presente de aniversário. O exército era exatamente igual, com exceção ...

Palavras que merecem reflexão

Mudança Geralmente confundido com a famosa frase de Lampedusa: "melhor mudar um pouco, de modo que tudo possa continuar a mesma coisa." E quando pressentimos que chegou a hora de mudar, começamos inconscientemente a repassar um vídeo mostrando todas as nossas derrotas até aquele momento. É claro que, à medida que ficamos mais velhos, nossa cota de momentos difíceis é maior. Mas, ao mesmo tempo, a experiência nos deu meios de superar essas derrotas, dar a volta por cima, e encontrar um caminho que permitisse seguir adiante. Também precisamos assistir esta fita em no nosso videocassete mental. Atenção: se assistirmos apenas o vídeo da derrota vamos ficar paralisados. Se nos detivérmos no vídeo da experiência, vamos terminar nos julgando mais sábios do que realmente somos. Melhor sempre ter as duas fitas ao alcance da mão. E, quando chegar o momento de um novo passo, encerrar um ciclo e começar algo diferente. Vontade Esta é uma palavra que a gente deveria colocar sob sus...

Fragmentos de um diário inexistente

Mover-se é viver Estou numa festa de São João, com barraquinhas, tiro ao alvo, comida caseira. A única coisa curiosa é que, de determinado ângulo da rua de casas de dois andares, podemos ver os edifícios mais altos do mundo; a festa do interior está acontecendo em plena Nova York. De repente, um palhaço começa a imitar todos os meus gestos. As pessoas riem, e eu também me divirto. No final, convido-o para tomar um café. “Comprometa-se com a vida”, diz o palhaço.”Se você está vivo, você tem que sacudir os braços, pular, fazer barulho, rir e falar com as pessoas, porque a vida é exatamente o oposto da morte. “Morrer é ficar sempre na mesma posição. Se você está muito quieto, você não está vivendo”. O rato e os livros Quando eu estava internado na Casa de Saúde Dr. Eiras, comecei a ter crises de pânico. Um dia, resolvi consultar o psiquiatra encarregado do meu caso: “Doutor, o medo me domina, me tira a alegria viver.” “Aqui no meu consultório tem um ratinho que come meus livros”, disse o ...

O respeito ao mistério

Os gregos foram os grandes mestres em descrever o comportamento humano através de pequenas histórias, que costumamos chamar de “mitos”. Todas as gerações que vieram depois deles, da psicanálise de Freud (com o complexo de Édipo, por exemplo), aos filmes de Hollywood (como o Morpheus de “Matrix”) terminaram por beber desta fonte. Durante grande parte de minha vida, uma destas histórias me deixava muito intrigado: o mito de Psyche. Era uma vez... uma linda princesa, admirada por todos, mas que ninguém ousava pedir sua mão em casamento. Desesperado, o rei consultou o deus Apolo; esse disse que Psyche deveria ser deixada sozinha, vestida de luto, no alto de uma montanha. Antes que o dia raiasse, uma serpente viria a seu encontro para desposá-la. O rei obedeceu, e por toda a noite a princesa esperou, aterrorizada e morta de frio, a chegada de seu marido. Terminou adormecendo; ao despertar, estava em um lindo palácio, transformada em rainha. Todas as noites seu marido vinha a seu encontro, f...
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