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Mostrando postagens de julho, 2007

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Você está acessando o site do bacharel em Teologia e Filosofia, Valderi Silva.


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Na roda do tempo

Eu havia me proposto a publicar aqui neste espaço, uma vez por ano, textos de Carlos Castañeda, um antropólogo que marcou minha geração através dos relatos de seus encontros com feiticeiros mexicanos. Por falta de espaço, não faço isso desde 2004. Hoje acordei pensando: Castañeda, apesar de todos os seus críticos e de todo o seu trabalho, que mais tarde me pareceu muito desordenado, não deve ser esquecido. Portanto, aqui vão, editadas, algumas de suas reflexões. A intenção é o mais importante: para os antigos feiticeiros do México, a intenção (intento) é uma força que intervém em todos os aspectos do tempo e do espaço. Para poder utilizar e manipular esta força precisavam ter um comportamento impecável. A meta final de um guerreiro é poder levantar a cabeça além do sulco onde está confinado, olhar ao redor, e modificar o que deseja. Para isso, necessita disciplina e atenção total. Nada é fácil: nada neste mundo é dado de presente: tudo precisa ser aprendido com muito esforço. Um ho...

Trocando sons por cores

- Vamos parar um pouco. Não agüento esta cor laranja! Onde está a cor de laranja? Estamos no Trastevere, em Roma, e tudo que vejo são os bares, as pessoas na rua neste começo de primavera gelado, e os sinos da igreja tocando. Já é quase noite de um dia nublado, de modo que sequer podemos culpar o sol pela ilusão de ótica. Caminho com uma atriz que conheço já há algum tempo, mas que nunca antes tivemos oportunidade de conversar o suficiente. Paro como pediu, mas apenas por educação, já que aquela mulher equilibrada, profissional, deve ser mais louca do que eu pensava. Entramos em um restaurante para jantar. Pedimos risoto com trufas, e um bom vinho. Conversamos sobre a vida, e de novo um comentário absurdo: - Esta comida está retangular! Ela nota minha cara de espanto. Comida retangular? - Você deve achar que estou louca; não estou. Houve um momento de minha vida em que pensei que era daltônica (pessoa que confunde uma cor com outra). Fui ao médico, e descobri que tenho um d...

Fragmentos de um diário inexistente

Hakone, Japão Consigo que meu editor, Masao Masuda, finalmente me convide para a tradicional cerimônia do chá. Vamos para uma montanha perto de Hakone, entramos num pequeno quarto, e sua irmã, vestida ritualmente em quimono, nos serve chá. Só isso. Entretanto, tudo é feito com tanta seriedade e protocolo, que uma prática cotidiana transforma-se num momento de comunhão com o Universo. O mestre do chá, Okakusa Kasuko, explica o que acontece: “A cerimônia é a adoração do belo. Todo seu esforço concentra-se na tentativa de atingir o perfeito através dos gestos imperfeitos da vida cotidiana. Toda a sua beleza consiste em respeitar as coisas simples que fazemos, pois elas podem nos transportar até Deus”. Copacabana, Rio de Janeiro Estou andando pelo calçadão, e escuto uma moça dizendo para a outra, de maneira convicta: “Eu programei minha vida da seguinte maneira...” Fiquei pensando: será que ela conta com as coisas que aparecem justamente quando não estamos esperando? Pensou que...

Sobre a importância do “não”

“Hitler pode ter perdido a guerra no campo de batalha, mas terminou ganhando algo’’, diz M. Halter. “Porque o homem do século XX criou o campo de concentração e ressuscitou a tortura, e ensinou aos semelhantes que é possível fechar os olhos para as desgraças dos outros.’’ Talvez ele tenha razão: existem crianças abandonadas, civis massacrados, inocentes nos cárceres, velhos solitários, bêbados na sarjeta, loucos no poder. Mas talvez ele não tenha nenhuma razão: existem os guerreiros da luz, que jamais aceitam o que é inaceitável. As palavras mais importantes em todas as línguas são palavras pequenas. “Sim’’, por exemplo. Amor. Deus. São palavras que saem com facilidade e preenchem espaços vazios em nosso mundo. Entretanto, existe uma palavra - também muito pequena - que temos dificuldade em dizer. “Não”. E nos achamos generosos, compreensivos, educados. Porque o “não’’ tem fama de maldito, egoísta, pouco espiritual. Cuidado com isto. Há momentos em que, ao dizer “sim” par...

No tempo em que os animais falavam

Quando eu era criança, grande parte das histórias começavam com duas frases: a primeira e mais conhecida é “Era uma vez...” A segunda, e também muito conhecida do brasileiro, era: “No tempo em que os animais falavam...” Talvez esta tradição tenha começado com as fábulas de um antigo escravo, Esopo, que viveu há mais de 2.500 anos. Sua origem é também lendária; seu lugar de nascimento varia, segundo a enciclopédia consultada, da Grécia à Etiópia. Mas isso não tem a menor importância, seu legado atravessou o tempo, fez sucesso em todas as gerações, e continua vivo até hoje. Volta e meia releio seus ensinamentos, e me parecem mais importantes que o de muitos filósofos atuais. A seguir, algumas das fábulas onde usa a raposa como tema; a força de suas histórias é tão forte que até hoje o pobre animal passou a ser sinônimo de esperteza. A raposa e o rei macaco Os animais decidiram que o rei do grupo seria eleito por aquele que dançasse melhor. Depois de uma grande festa, onde todos p...
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