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Mostrando postagens de dezembro, 2002

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Você está acessando o site do bacharel em Teologia e Filosofia, Valderi Silva.


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Sobre animais e insetos

O ateu e o urso Uma amiga, Cristina Martins, me envia a seguinte história: Um ateu estava passeando em um bosque, admirando tudo o que aquele "acidente da evolução" havia criado. "Mas que árvores majestosas! Que poderosos rios! Que belos animais! E tudo isso aconteceu por acaso, sem nenhuma interferência de ninguém! Só mesmo as pessoas fracas e ignorantes, por medo de não conseguirem explicar suas próprias vidas e o universo, têm necessidade de atribuir a uma entidade superior toda esta maravilha! " À medida que caminhava ao longo do rio, ouviu um ruído nos arbustos atrás de si. Virou-se para olhar, e um corpulento urso, de dois metros de altura, caminhava em sua direção. Sem pensar duas vezes, disparou a correr o mais rápido que podia. Mas à medida que ia perdendo o fôlego, o urso se aproximava. Tentou aumentar a velocidade, mas já não conseguia - terminou tropeçando, e caindo. Rolou no chão rapidamente e tentou levantar-se, mas o urso já estava em cima dele, segur...

Quatro histórias de amor não muito felizes

Os taoístas contam que, no início dos tempos, o Espírito e a Matéria lutaram entre si um combate mortal. Finalmente o Espírito triunfou - e a Matéria foi condenada a viver para sempre no interior da Terra. Antes que isto acontecesse, porém, sua cabeça bateu no firmamento, e reduziu a pedaços o céu estrelado. A deusa Niuka saiu do mar, resplandecente em sua armadura de fogo; fervendo as cores do arco-íris num caldeirão, foi capaz de recolocar as estrelas em seu lugar, mas não conseguiu encontrar dois pequenos cacos, e o firmamento ficou incompleto. Segundo os taoístas, aí começa a necessidade do amor: duas almas sempre estão percorrendo a Terra, em busca de sua Outra Parte, para que possam encaixar no pedaço vazio do céu - e, desta maneira, completar a Criação. A seguir, algumas pequenas histórias (não muito felizes) desta busca incessante: As cartas apaixonadas Um guerreiro apaixonou-se pela filha do seu general. No intervalo das batalhas, escrevia cartas apaixonadas - mas ficava com m...

Histórias sobre as histórias da Bíblia

Depois do dilúvio No final dos quarenta dias de dilúvio, Noé saiu da arca. Desceu cheio de esperança, mas o que encontrou do lado de fora foi apenas a destruição e a morte. Noé reclamou: "Deus Todo-Poderoso, se Tu conhecias o futuro, por que criastes o homem? Só para ter o prazer de castigá-lo?" Um perfume triplo subiu até os céus: o incenso, o perfume das lágrimas de Noé, e o aroma de suas ações. Então Deus respondeu: "As preces de um homem justo sempre são ouvidas. Vou te dizer porque fiz isto: para que entendesses tua obra. Tu e teus descendentes estarão sempre reconstruindo um mundo que veio do nada - e desta maneira dividiremos o trabalho e as consequências. Agora somos todos responsáveis." A outra mulher Eva passeava pelo Jardim do Éden, quando a serpente se aproximou. "Coma esta maçã", disse a serpente. Eva, muito bem instruída por Deus, recusou. "Coma esta maçã", insistiu a serpente, "porque você precisa ficar mais bela para o seu ho...

Ítaca, ou o longo caminho de volta

Um dos grandes clássicos de literatura de todos os tempos, "A Odisséia", escrita por Homero, narra a volta do herói Ulisses até a ilha de Ítaca, onde sua esposa, Penélope, o espera há mais de uma década. Embora cortejada dia e noite por homens que afirmam terem visto seu marido morrer em combate durante a guerra de Tróia, ela não perde as esperanças; Ulisses passa por todo tipo de desafio, mas termina voltando ao lar. Muitos séculos depois, um outro poeta grego, Konstantinos Kavafis, abordaria de maneira diferente este caminho de volta, criando uma das mais belas metáforas da jornada em busca de nossos sonhos. Enquanto na "Odisséia" o drama se concentra nas dificuldades de chegar, e no sofrimento da mulher amada, na poesia de Kavafis ele pede exatamente o oposto a Ulisses: que aproveite o caminho, e viva tudo o que precisar viver. Aprendi este poema no Caminho de Santiago, em um momento em que estava louco para chegar a Compostela, e acabar logo com aquilo que me pa...

A cidade e as duas ruas

A história a seguir é contada pelo Sheikh Qalandar Shah, no seu livro "Asrar-i-Khilwatia" (Segredos dos Solitários): No lado oriental da Armenia existia um pequeno vilarejo com duas ruas paralelas, chamadas respectivamente Via do Sul e Via do Norte . Um viajante, vindo de muito longe, passeou pela Via do Sul, e logo resolveu visitar a outra rua; entretanto, assim que chegou ali, os comerciantes notaram que seus olhos estavam cheios de lágrimas. "Alguém deve ter morrido na Via do Sul", disse o açougueiro para o vendedor de tecidos. "Veja como este pobre estranho, que acaba de chegar dali, está chorando!" Uma criança ouviu o comentário e, como sabia que a morte era algo muito triste, começou a chorar histericamente. Pouco tempo depois, todas as crianças daquela rua estavam chorando. O viajante, assustado, resolveu partir imediatamente. Jogou fora as cebolas que estava descascando para comer - e esta era justamente a razão de ter os olhos cheios de lágrimas -...
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