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Mostrando postagens de agosto, 2003

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A música que vinha da capela

Hoje, dia 24 de agosto, é o dia do meu aniversário. O universo me deu um presente há algumas semanas, e quero compartilhar com meus leitores. No meio de uma floresta perto de pequena cidade de Azereix, no Sudoeste da França, existe uma pequena colina coberta de árvores. Com a temperatura beirando os 40 graus centígrados, em um verão com quase 5.000 mortos nos hospitais por causa do calor, olhando os campos de milho já completamente destruídos pela seca, não temos muita vontade de caminhar. Mesmo assim, digo para minha mulher: - Certa vez, depois de te deixar no aeroporto, resolvi passear por esta floresta. Achei o caminho muito bonito você não quer conhecer? Christina olha uma mancha branca no meio das árvores, e pergunta o que é: - Uma pequena ermida. Digo que o caminho passa por lá, mas na única vez que estive ali, ela estava fechada. Habituados como estamos com as montanhas e campos, sabemos que Deus está por todas as partes, não é necessário entrar em uma construção feita pelo home...

O bosque de cedros

Em 1939, o diplomata japonês Chiune Sugihara, que ocupava um posto na Lituânia durante uma das épocas mais terríveis da humanidade, salvou milhares de judeus poloneses da ameaça nazista, concedendo-lhes vistos de saída. Seu ato de heroísmo foi uma obscura nota de rodapé na história da guerra. Até que os sobreviventes salvos por Sugihara resolveram contar sua história: logo sua coragem e grandeza estavam sendo celebradas, chamando a atenção dos meios de comunicação, e inspirando alguns autores a escrever livros que descreviam como o "Schindler japonês". Enquanto isso, o governo israelense vinha reunindo os nomes dos salvadores, para recompensá-los pelos seus esforços. Uma das formas que o Estado judeu tentava reconhecer sua dívida para com esses heróis consistia em plantar árvores em sua homenagem. Quando a bravura de Sugihara foi revelada, as autoridades israelenses planejaram, como era de costume, plantar um bosque de cerejeiras - árvore tradicional do Japão - em sua memória...

A terceira paixão

Durante estes quinze anos mais recentes, lembro-me de viver apenas três paixões avassaladoras - daquelas que você lê tudo a respeito, conversa compulsivamente sobre o assunto, procura pessoas com a mesma afinidade, dorme e acorda pensando no tema. A primeira foi quando comprei um computador, abandonando para sempre a máquina de escrever, e descobrindo a liberdade que isso me permitia (estou escrevendo agora em uma pequena cidade francesa, usando algo que pesa menos de 1,5 quilos, contém dez anos de minha vida profissional, e posso achar o que preciso em menos de cinco segundos). A segunda foi quando entrei pela primeira vez na internet - já naquela época uma biblioteca maior que a maior de todas as bibliotecas. A terceira paixão, porém, nada tem a ver com avanços tecnológicos. Trata-se de...arco e flecha. Na minha juventude, li um livro fascinante, "A arte cavalheiresca do arqueiro zen", de E. Herrigel (Ed. Pensamento), onde contava seu percurso espiritual através deste espor...

Histórias de Nasrudin

Nasrudin, o mestre que se faz de louco, o sábio que finge ser tolo, o personagem central de grande parte dos ensinamentos sufis, é de novo tema desta coluna. É melhor prevenir O mullah Nasrudin chamou o seu aluno preferido: - Vá pegar água no poço. O menino preparou-se para fazer o que lhe fora pedido. Antes de partir, entretanto, levou um cascudo. - E não entre em contato com jogadores e pessoas vaidosas, senão terminará ofendendo a Deus! - Ainda nem saí de casa, e já recebi um cascudo! O senhor está me castigando por algo que não fiz! - Com as coisas importantes na vida, não se pode ser tolerante - disse Nasrudin. - De que adiantaria castigá-lo depois que já tivesse perdido sua alma? A tarefa mais difícil Um dos rapazes que estudava com Nasrudin quis saber: - Qual é o maior de todos os homens: aquele que conquistou um império? Aquele que teve todas as possibilidades de fazer isso, mas renunciou ao desejo? Ou aquele que impediu que outro o fizesse? - Não tenho a menor idéia - responde...
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