Durante certo período de minha vida -notadamente entre os anos de 1982 e 1990 -mantive um caderno onde anotava minhas conversas com J., pessoa a quem considero acima de tudo um amigo, mas que me ensinou muito da linguagem simbólica do mundo. Recentemente, lendo minha biografia escrita por Fernando Morais, resolvi retranscrever o texto abaixo: - No fundo, as pessoas reclamam, mas adoram a rotina - eu disse. - Claro, e a razão é muito simples: a rotina lhes dá a falsa sensação de que estão seguros. Assim, o dia de hoje será exatamente igual ao dia de ontem, e o amanhã não trará surpresas. Quando a noite chega, parte da alma reclama que nada de diferente foi vivido, mas a outra parte fica contente - paradoxalmente, pela mesma razão. "Evidente que esta segurança é totalmente falsa; ninguém pode controlar nada, e uma mudança aparece justamente no momento mais inesperado, pegando a pessoa sem condições de reagir ou lutar". - Se somos livres para decidir que queremos...

