O jornalista do "Mail on Sunday" aparece no hotel em Londres, com uma simples pergunta: se eu morresse hoje, como seria o meu funeral? Na verdade, a idéia da morte me acompanha todos os dias desde 1986, quando fiz o Caminho de Santiago. Até aquele momento, a idéia de que tudo pudesse acabar um dia era assustadora, mas, em uma das etapas da peregrinação, fiz um exercício que consistia em experimentar a sensação de ser enterrado vivo. O exercício foi tão intenso que me fez perder por completo o medo, e passar a encarar a morte como uma grande companheira de jornada, que está sempre sentada ao meu lado, dizendo: "Eu vou tocá-lo, e você não sabe quando, portanto, não deixe de viver da maneira mais intensa possível". Por causa disso, eu jamais deixo para amanhã o que posso viver hoje e isso inclui alegrias, obrigações para com o meu trabalho, pedidos de perdão quando sinto que feri alguém, contemplação do momento presente como se fosse o último. Posso me lembrar de muita...

