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Ateísmo e monoteísmo filosóficos são diferentes?

O que escrevo hoje pretende ser uma continuação do artigo "O ateísmo e o monoteísmo filosófico", pois neste terminava justamente colocando-se esta pergunta: Existe diferença entre ateísmo e monoteísmo filosóficos?

No artigo citado escrevia resumidamente sobre dois pontos que acho relevantes nesta questão: A inseparável necessidade de um ente fora de si para chancelar suas próprias decisões e a também natural e inesperável necessidade da crença religiosa para além de autorizar os atos, e ser a depositária do que poderia ser o inesperado, ou o misterioso futuro.

Um ateísmo puritano não pode ser concebido no âmbito da necessidade natural da crença, mas a pergunta é se no campo filosófico, ou seja, apenas racional, poderíamos conceber certo ateísmo como forma de inexistência de qualquer ente individual e lógico por si, separado e superior da razão humana. Um ente racional pode conceber as mais altas elaborações lógicas e científicas que se tornam base para quase tudo na vida humana, mesmo para seu fim. Sim, podemos até creditar ao raciocínio a explicação da morte e dos sentimentos emocionais que o ser humano sente ao aproximar este momento derradeiro. Um ateísmo filosófico assim, parece-nos possível, parece-nos razoável, porque justamente estamos utilizando da mesma limitação que o torna impossível e completamente diferente do monoteísmo filosófico. A limitação de que falo se resume no próprio ato de potencializar a racionalidade de si para uma racionalidade fora de si. O individuo ateu quase nem percebe que tentando justificar racionalmente a própria existência superior a tudo o existente, simplesmente alimenta uma inclinação corruptível natural do ser humano vivente, que no cansaço de buscar o superior a si, elimina qualquer necessidade de busca tornando-se a si mesmo o suficiente. Para o ateu filosófico, ele mesmo se basta.

Diferentemente observamos que um monoteísmo filosófico, apesar de não negar o esforço racional e a própria capacidade da razão humana, não nega a limitação desta mesma faculdade, admitindo criteriosamente a insuficiente capacidade diante de temas universais e atemporais. A existência de uma razão superior e fora do indivíduo humano, não é apenas observada pela necessidade do ser humano por resolver aquilo que não consegue, mas pela própria observação da existência dos seres, animados e inanimados. Muitos filósofos admitiram o pensamento superior e independente que deve estar por trás da ordem das coisas criadas, e ainda a beleza na ordem, que faz-nos pensar especialmente na beleza da própria capacidade racional do ser humano, algo improvável de haver surgido apenas de combinações celulares, um suposto "milagre" biológico. 

Deste modo, parece-me claro que o chamado ateísmo filosófico é uma criança engatinhando, que resite, por birra e preguiça, em não aprender a caminhar. Uma clara e lamentável postura involutiva do ser humano.

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