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Diácono: Homem da proclamação e da caridade

São Lourenço é conhecido como o patrono dos diáconos, especialmente dos diáconos permanentes. De fato, por ter sido martirizado no início do cristianismo exercendo este serviço nas comunidades cristãs, tornou-se não somente admirável pelo testemunho de fé até o extremo, mas tornou-se símbolo de um compromisso com o serviço da caridade, característica premente neste primeiro grau do sacramento da Ordem.

Não tenho como deixar de lado a lembrança desta comemoração no já distante ano de 2007, ano em que recebi juntamente com mais 11 seminaristas a ordenação diaconal. Foi no dia 5 de agosto, um domingo ensolarado, na Catedral Basílica São Luiz Gonzaga, em Novo Hamburgo (RS). Recordo-me dos sentimento anteriores a esta cerimônia, além da ansiedade por não fazer algo de errado e passar vergonha, de momento em momento passava-me a sensação de que recebia uma "ordem" sem ter aprofundado o que então recebia. E não era de se admirar que os demais também pudessem pensar algo semelhante, visto que esta ordenação diaconal em vista da ordenação presbiteral ainda carrega simplesmente o estigma de mera introdução obrigatória ao tão almejado sacerdócio

Talvez faltou um aprofundamento em São Lourenço, que apesar de poucos registros de sua vida e atividade, podem nos levar aos próprios fundamentos da existência deste serviço na Igreja.

O diácono nunca deve ser visto como "homem da lei de Deus e da Igreja", ou seja, como uma autoridade a corrigir e direcionar. E digo nunca com convicção depois de ter conhecido muitas dezenas de "diáconos" por este Brasil. Se existe uma autoridade no diácono, e não estou dizendo que exista, ela está somente na sua atividade de existir junto da comunidade eclesial. De fato, o diácono realiza sacramentais, e o sacramento do Batismo, mas sua existência principal esta nem nisto e nem no auxílio ritualístico na Santa Missa.

Dentre as muitas coisas que o diácono faz, aquelas que para mim revelam sua profunda existência e a justificam são: Proclamação da Palavra de Deus e junto a isso também sua pregação (se existe preparação para tal), e também presença ativa e eficaz nos grupos e movimentos de caridade.

Proclamar a Palavra de Deus na liturgia e noutros momentos onde se sabe pertinente uma reflexão, é uma das mais significativas expressões da vida do diácono. Ele precisa ser ligado automaticamente à Palavra de Deus, sua postura de portador da Palavra e proclamador precisa  ser conhecida e reverenciada por toda a comunidade. Tristemente em muitos lugares os diáconos não recebem por parte de quem os instruí ou mesmo por certo descuido do pároco, a atenção necessária neste sentido. Quando se fala em serviço da caridade é impossível não ligar ela à Palavra de Deus. Pois bem, mais um motivo para ver o Diácono como o homem da Palavra, o proclamador oficial da comunidade, pois proclamar esta Palavra já é o início de toda a caridade cristão neste mundo.

A caridade que o diácono faz não é mera caridade que todo cristão exerce porque nasce de sua fé e do seu testemunho. Como disse antes, a proclamação da Palavra de Deus faz com que a caridade receba uma dimensão muito maior, mais que o mero assistencialismo, mais que qualquer atividade social junto de famílias necessitadas de itens básicos ou de ajuda em sua saúde. O diácono é o homem de caridade primeiro porque é o homem que proclama a Palavra de Deus, e assim transforma suas ações em atos visíveis desta palavra proclamada, sem a superficialidade do voluntarismo filantrópico.

Seria muito fácil tecer inúmeras críticas ao diaconato atual e como os bispos vem tratando este assunto, mas parece importante refletir sobre sua existência desde a raiz, pois neste tempo de caos teológico, muita sensatez e reflexão é importante.


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