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Do ateísmo para a fé

Com muita satisfação acabo de ler o livro "9 Ateus Mudam de Ônibus", escrito por José Ramón Ayllón, uma coletânea de mini-biografias das conversões de nove personalidades do mundo intelectual: Francis Collins; Ernesto Sábato; Dostoievski; Tatiana Goritcheva; C. S. Lewis; André Frossard; Edith Stein; Vittorio Messori e G. K. Chesterton.

Não desejo descrever estas narrativas do livro, porque é necessário lê-lo para apreciar dados importantes deste fenômeno chamado "conversão". É sobre isto que gostaria de falar agora tendo esta obra com brecha e inspiração.

É de se convencionar que certas pessoas, como um Dostoievski ou Edith Stein, não proclamariam certa mudança de vida com a displicência de um adolescente imaturo e irresponsável - não que todos o sejam!. E é por este motivo que devemos, por honestidade intelectual, considerar de suma importância seus relatos que os fizeram se aproximar da religião e de modo muito especial do catolicismo.

Um dado em comum dentre todos estes nove que no livro citado se encontram, é a crueza da revelação divina, que nos faz chegar ao ponto realmente fundamental da conversão do ser humano à Deus, e consequentemente, sua devoção à Ele e Sua palavra. Que dado fundamental seria este? O encontro pessoal com UMA PESSOA, não com um mero conjunto de leis e normas típicas de uma doutrina organizada. De fato, se experimenta um real amadurecimento na fé, quando existe esta consciência de que o catolicismo existe por causa e somente por fundamento de UMA PESSOA, pois mesmo existindo uma doutrina - que é consequência da existência desta PESSOA - tudo o que nos move e nos orienta baseia-se nela, ou seja, em Jesus Cristo, Filho de Deus.

Ler relatos de conversão nos deve mover à reflexão mais profunda sobre nossas convicções religiosas, mesmo que vindas de berço. No programa "O Católico" de 09 de fevereiro deste ano, comentei acerca desta relatividade que existe em "sermos" católicos de berço em contraponto aos católicos convertidos e do porque nos parece que estes convertidos possuem  muito mais convicção e clareza naquilo que creem, além de mais conhecimento da doutrina que decidem professar. 

Noutro programa "O Católico" de 17 de novembro de 2018, no meu canal no YouTube, falando sobre o livro "Jesus e a Samaritana" do escritor George Chevrot, falava de outro dado importante da conversão que para nós "católico de berço" deveria servir de instrumento de santificação. Falava de como Jesus não forçou a samaritana a nada, simplesmente ouvi-a e deu-lhe a oportunidade de falar de si mesmo, para que ela mesma diante da razão em si, ou seja, o próprio Criador de tudo, chegasse a conclusão inevitável de que vivera todos os anos numa escuridão existencial.

O tema conversão precisa sempre ser retomado, pois como diz o próprio G. K. Chesterton, o óbvio precisa ser dito e repetido. Um convertido não pensa em fazer teologia, como se somente isso significasse aperfeiçoamento da fé, mas ele pensa primeiramente em conhecer ainda mais esta PESSOA que lhes encantou racionalmente, emocionalmente e existencialmente.


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