Pular para o conteúdo principal

Bem-vindo.

Você está acessando o site do bacharel em Teologia e Filosofia, Valderi Silva.


  • image
  • image
  • image
  • image

POLIANA, PENDLETON E A EXISTÊNCIA DE DEUS

Quando escrevi pela primeira vez sobre a novela "As aventuras de Poliana", ainda não tinha assistido os diálogos da jovem Poliana como o misterioso sr. P sobre a existência de Deus. Sem notar aprofundamentos semânticos ou filosófico-teológicos, estes diálogos trazem pela simplicidade, a importante questão da existência de Deus, mas o mais importante está no indivíduo que sofre para reconhecer esta existência, e este indivíduo é representado pelo misterioso sr. P.

A jovem Poliana assumiu como tarefa pessoal demonstrar ao sr. P o seu erro, mesmo sendo um
Sr. P e Poliana
homem de inteligência acima do que a Poliana possa ter. De fato, a personagem tem este perfil do homem sério, reservado, autossuficiente, autodidata e que confia exclusivamente na sua capacidade intelectiva. É notório que pessoas deste perfil acabem por deixar a questão da existência de Deus de lado, e quando confrontado com ela, busquem no intelecto a resposta mais óbvia para a questão. Mas a resposta mais óbvia nem sempre advêm com os fundamentos que sustentam a mesma, e é por isso que o sr. P fica tão desconcertado com as respostas mais simples de Poliana para suas indagações.

O que o sr. P representa nesta história, no assunto em questão, é o sofrimento intelectual que sofrem as mentes que resolveram abandonar conscientemente a questão da existência do Ser Absoluto, aquele que existe sem as provas materiais que a mente humana limitada ousa exigir. 

É fácil provar a existência de Deus? Não. Mas é mais difícil provar sua "não existência". Os argumentos usados para tal intento, o de provar sua inexistência sempre carecem de fundamento, como é o típico "se Ele existe, porque encontramos o sofrimento humano?". Neste exemplo, com um pouco de esforço intelectual e honestidade na análise, se percebe a falta de fundamento para o utilizar como prova da inexistência de Deus. O sofrimento que passamos em nada têm de haver com Deus, pois tendo a priori nossa liberdade e livre arbítrio, sabemos que todos os atos resultam em consequências para si ou para outros. Assim, Deus não pode ser nem o causador nem aquele que impediria qualquer sofrimento, pois desta forma não respeitaria nossa liberdade e consequentemente seríamos fantoches e não indivíduos com vontade própria. Evidentemente, como ser de poder absoluto, pode causar ou cessar um mal, mas o ponto central aqui é nossa liberdade que é o que torna tão especiais para Deus.

Outro motivo para pensar na existência de Deus em contraponto ao exemplo da existência do sofrimento, é o amor. Pois vejamos: o amor só é possível se existe liberdade, se existe o livre arbítrio para decidir dedicar-se ou não a um sentimento. Sem liberdade não falaríamos de amor, mas de falaríamos somente de obrigatoriedades. É impensável que alguém negue sua liberdade de amar ou não alguém, e é por isso que Deus existe, porque existe liberdade em cada um de nós. Voltando ao sofrimento, Deus, respeitando nossa liberdade de escolhas, espera que o ser humano seja capaz de suplicar-lhe auxílio, e somente assim o teremos Deus interferindo em nossos sofrimentos.

De modo que, argumentar a inexistência de Deus só por causa do sofrimento humano não traz prova alguma para negar a existência do Todo Poderoso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mário de Andrade: 65 anos de sua morte

Nesse aniversário da morte de um dos grandes gênios da literatura que nossa nação já teve, apresento um breve histórico desse homem tão ilustre para nossa bagagem cultural. *** Mário Raul de Morais Andrade ( São Paulo , 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945 ) foi um poeta , romancista , crítico de arte , musicólogo , professor universitário e ensaísta brasileiro . É reconhecido por críticos como um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX. Notável polímata , Mário de Andrade liderou o movimento modernista no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22 , além de se envolver (de 1934 a 37) com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Mário nasceu em São Paulo e construiu praticamente toda a sua vida na metrópole. Na cidade, estudou e também lecionou por muitos anos, desde cedo demonstrando sua...
  • image
  • image
  • image
  • image