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Falar-vos-ei do amor [parte III]

Este amor ordinário esta longe da lamentação contemporânea expressa pela frase "amor frio", ou "amor sem vida", ele na verdade revela-se no amor que (arrisco dizer), noventa por cento da população mundial conhece. Ora, se é tanta gente assim, e esse seria o tipo do "amor sem vida", este mundo já seria um mundo de zumbis, mortos vivos, que nada sentem nem interagem.

Não. Este amor ordinário é a experiência palpável da finalidade humana que eclode em meio de nossas imperfeições para correr em busca de sua realização enquanto criatura, que interiormente busca o amor perfeito, que evidentemente esta fora de si mesmo. E este amor perfeito é o que da forma para a "realidade amor", que falava anteriormente (aqui).

O ser humano consegue multiplicar esta forma de amor, torná-la incrivelmente perceptível no mundo. E isto parece claro agora se levamos em consideração o que fora escrito até agora. Na interação com o outro manifestamos o amor, não com palavras, elas virão em segundo lugar (ou segundo plano), mas através de olhares, gestos e presença.

Aqui desejo destacar esta última ação que mencionei ser uma manifestação do amor: a presença.

Estar presente. Colocar-se junto. Mesmo o outro (a namorada, o namorado, a noiva, o noivo, a esposa,  o esposo) sente a incontrolável necessidade de presença de alguém que lhe é simpático, importante, necessário. Digo que eles nem percebem na maioria das vezes, mas necessitam da presença daquele que já é alvo de um "próto-amor". Parece incrível que a simples presença seja tão importante, mas é. Você pode não falar, nada fazer, mas estando junto já é sinal de amor, sinal de conforto para a outra pessoa. Acredito que todos podem pensar sobre isso e perceber que passaram por esta experiência alguma vez em sua vida.

Pois esta característica do amor ordinário o torna amor palpável para o ser humano, e o nutre, pois a presença do outro torna a interação com o outro de maneira mais agradável possível. E assim, cresce o amor.

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