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Moby Dick ou "No coração do Mar"

Uma recente produção cinematográfica segue o estilo de releitura de clássicos da literatura mundial. Digo releitura pelo fato de que, atualmente, os próprios produtores acabam incorporando ao roteiro características de sua interpretação literária. E para mim, o filme "No Coração do Mar" (dirigido por Ron Howard, da Warner Bros, 2015) não foge a este costume.
Este filme trata da obra clássica "Moby Dick" (1851, primeiro em Londres depois em Nova Iorque), a assustadora e mítica baleia a enfrentar destemidamente os baleeiros que a tentavam inutilmente capturar. Obra do escritor estadunidense Herman Melville, foi um romance revolucionário na época, pois com grande precisão o escritor fez relatos dos modos dos baleeiros, das baleias e de como era este trabalho nada fácil, o de capturar e armazenar o que era extraído das baleias capturadas.

No filme, estrelado por Chris Hemsworth no personagem de Owen Chase e Benjamin Walker no personagem do capitão do navio Essex, George Pollard, encotramos um certo tom de melancolia exagerada por parte do Sr. Old Thomas Nickerson (pelo ator Brendan Gleeson), o jovem que compunha a tripulação do navio Essex, responsável pelo relato mítica aventura. Seus personagens refletem a angústia da tripulação a deriva, perdidos em pleno mar, tendo que utilizar de todos os meios para sobreviver, como no aproveitamento da própria carne dos corpos sem vida daqueles que formavam a tripulação e acabavam morrendo por conta da precariedade.

Ben Whishaw faz o papel do próprio escritor da obra Moby Dick, Herman Melville. É ele que escuta por várias horas, de maneira atenta, o relato de Old sobre a incrível história do navio Essex, sua tripulação e a assustadora baleia.
A história do Essex é a história também do comércio selvagem e sem nenhuma ética. É também a história do orgulho de um que era endossado pelo sangue e do orgulho de outro que convencia-se de sua experiência no mar. Os dois levaram o navio até mares perigosos onde encontraram a destruição frente a mítica Moby Dick. Uma baleia de proporções colossais que nada mais fazia que defender a espécie frente ao ataque sem dó do ser humano.

Talvez este lançamento venha imbuído da intenção de criticar violentamente a caça das baleias nos mares árticos e a caça pelos asiáticos para atender uma clientela bem específica. Nada incomum num ambiente como a cinematografia, onde o dinheiro e os interesses, algumas vezes, falam mais alto que as artes.

Apesar de minha pessoal desconfiança da cinematografia contemporânea acerca das obras clássicas, confesso que "No Coração do Mar" mostra a poesia por detrás do romance de Melville.

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