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Cardeal Sarah destaca a dignidade da Liturgia

Cidade do Vaticano | 15-06-2015, Gaudium Press
Um artigo escrito pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, sobre a Declaração Sacrosanctum Concilium do Concílio Vaticano II constitui uma bela síntese do valor e dignidade da Liturgia católica. "O Concílio quer que contemplemos o que é em essência", afirmou o Cardeal. "A prática da Igreja sempre vem daquilo que recebe e contempla a revelação".
O texto do Concílio estudado pelo Cardeal em seu artigo "A Ação Silenciosa do Coração" recorda que existe "uma continuidade entre a missão de Cristo Redentor e a missão da liturgia da Igreja. Os sacramentos são os canais dispostos por Cristo para que os apóstolos continuem sua missão e por esta razão "implementar a Liturgia não é nada mais que implementar a obra de Cristo", explicou o prefeito. "A Liturgia é em essência Actio Christi, o trabalho da redenção humana e a perfeita glorificação de Deus".
A missão da Igreja é entrar nesta ação direta de Cristo e reconhecê-lo como "sumo sacerdote, o verdadeiro sujeito, o ator real da Liturgia", acrescentou o Cardeal Sarah. "Se este princípio vital não é recebido em Fé, é provável que se faça da Liturgia uma obra humana, uma autocelebração da comunidade". A comunidade não é a que faz a liturgia, nem a participação ativa deve interpretar-se como uma "necessidade de fazer algo". Em seu lugar, trata-se de "deixar que Cristo nos tome e nos associe com seu sacrifício".
Para o Cardeal é importante recordar que na celebração da Eucaristia de frente para o povo o sacerdote atua em pessoa de Cristo Cabeça e busca facilitar que os fiéis sejam motivados a um encontro frente a frente com Deus que "através da graça do Espírito Santo, se converta em um coração a coração". Sendo o centro da celebração Deus mesmo, o Prefeito indicou que a liturgia do Oriente (na qual o sacerdote dá as costas ao povo) é consistente com o significado do que busca a Liturgia e sugere que "esta forma de fazer poderia ocorrer apropriadamente nas Catedrais onde a vida litúrgica deve ser exemplar".
Silêncio e admiração
O purpurado fez um chamado à necessidade de manter o ambiente de recolhimento e oração durante a Liturgia, e expressou que a influência da cultura ocidental, influenciada pela técnica e os meios de comunicação, tentaram transferir para a Liturgia objetivos externos, como a pedagogia e a convivência, que algumas vezes permitem a introdução de "elementos profanos" e celebrações "espetaculares", evidenciadas em gestos como os aplausos. "Se acredita que isto motiva a participação dos fiéis, quando na realidade reduz a Liturgia a um jogo humano".
Como elemento essencial do ambiente próprio da celebração litúrgica, o Cardeal Sarah destacou o silêncio. "A Liturgia nos põem na realidade em presença da transcendência divina. A participação significa renovar-nos no verdadeiro 'estupor' que São João Paulo II tinha em alta estima", indicou. "Esta admiração sagrada, este temos gozoso, requer nosso silêncio diante da Divina Majestade". O silêncio é na realidade uma das formas de participação descritas pelo Concílio, recordou.
O Cardeal Sarah destacou a unidade e continuidade entre as formas de celebrar a Eucaristia e pediu que este mesmo espírito se manifeste entre os fiéis de forma que a Liturgia não seja em nenhum caso um "espaço de rivalidade e crítica", mas uma participação da liturgia da Jerusalém Celestial. (GPE/EPC)
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