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A retrospectiva de Brás Cubas

Tenho grande apreço por Machado de Assis, pois acredito que sua contribuição para a Literatura Brasileira foi muito além de incrementar as prateleiras da literatura universal, tenho minha opinião pessoal a cerca de que, suas obras trouxeram uma real possibilidade de evolução da língua portuguesa aqui no Brasil. Mas esta minha opinião ainda carece de maior estudo a cerca de tal afirmativa.

Já havia me aventurado pelas "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Editora Ática: São Paulo. 1997) no já longínquo ano de 1999, onde contava dezesseis anos de idade, uma idade boa para se aproximar de Machado de Assis. Confesso que naquele ano quase nada compreendi deste romance, pois devemos confessar que a linguagem utilizada é para lá de formal, exemplo claro de um português segundos "as normas da lei" gramatical, além dos inumeráveis vocábulos que exigem de pessoas do nosso tempo (pelo menos a maioria!) várias consultas ao dicionário da língua portuguesa. Pois nesta segunda leitura que faço, depois de passados exatos dezesseis anos (curiosa coincidência...), posso ser mais digno de Machado de Assis e dizer-lhe que não consultei tanto como outrora o velho dicionário.

Neste livro o escritor faz uma curiosa narração da vida de um defunto, em que o narrador, que nos leva a esta retrospectiva é o próprio falecido, o tal Brás Cubas. Nos impressionantes 160 capítulos, Cubas nos vai revelando os momentos mais importantes e as pessoas que mais lhe valeram, positiva ou negativamente. Uma vida quase fidalga, sem o necessário labor para comer o pão de cada dia, visto ter nascido em família abastada. Num tempo em que a vida política era a meta da felicidade para muitos, Cubas também era empurrado para o palco da política. De fato, chegou a ser deputado no Rio de Janeiro, mas quase no fim da vida, revirou-se contra os políticos de então, desejando até publicar um jornal independente criticando e opondo-se as decisões políticas daqueles que eram investidos do poder.
Mas seu grande momento com certeza não fora a política, e sim o romance com a mulher de outrem, a linda Virgília lhe roubava o tempo e o espaço. Estava realmente apaixonado por esta senhora que era casada com o distinto Lobo Neves, também político que almejava a presidência da província. Virgília também estava confusa e aparentemente apaixonada por Cubas, o que levava os dois a se encontrarem sempre em segredo, no silêncio da residência de Lobo Neves, enquanto trabalhava, ou na cumplicidade de uma casinha num parque, zelada pela Dona Plácida. Este romance não teve final feliz para Cubas, visto suas possibilidades mínimas. Mas fez-lhe perder o tempo, gastar-lhe os anos, sem casar e sem filhos. Este será o saldo final do já falecido.

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" levou-me no passado e agora a apreciar ainda mais nossa língua portuguesa. Já tendo dito que aos dezesseis anos li o primeiro livro de Machado, parece-me mais sensato não recomendá-lo a mentes mais novas. Um bom vinho se saboreia quando o paladar já tocou vários vinhos. Machado de Assis também se desvela em sua grandeza e fascina quando já se percorreu uma jornada de leitura.
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