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Sexta-feira – Ez 16,1-15.60.63 Mt 19,3-12

XIX Semana do Tempo Comum
Valderi da Silva
O profeta Ezequiel recebe de Deus estas palavras que acabamos de escutar. Todo este detalhado relato que o profeta faz é um resumo de como Deus se sente em relação a Israel, pois esta “moça” de quem se fala é o povo eleito que Deus tirou da beira da morte, alimentou-o e fez com que se desenvolvesse. E chegado a estatura mais madura, quando estavam preparados para melhor compreenderem a Vontade de Deus, é feita uma Aliança com este povo, um desposamento. Agora Deus e o povo eleito estão unidos para sempre e nada os poderá separar.
Percebemos como Deus preparou ao longo da história, os corações para poder firmar uma aliança eterna com eles, por este motivo não se pode dizer que Ele esteve em algum momento indiferente a humanidade. De fato, a atenção divina sempre esteve voltada para a vida humana, desde a criação dos seres humanos. Nunca deixou de nos acompanhar e assistir e ao mesmo tempo nos formar para aceitarmos cada vez com mais clareza Sua Vontade. Com este povo de Israel vemos como é magnifica e precisa a pedagogia de Deus, que calmamente prepara o mais profundo dos corações para aceitá-Lo e amá-Lo. Em realidade, foi exatamente o que se passou com a humanidade antes de Cristo, durante muito tempo se encontrou ainda bruta, sem a clareza sobre o Deus que a criou, mas ao passar dos tempos, depois de várias manifestações divinas no cotidiano da vida humana, foi ficando mais madura e bela porque soube mais sobre o Deus da vida.
O que também devemos perceber é a tristeza de Deus ao ver quem preparou e formou, quem sempre esteve sendo assistido por Ele desejar a si mesmo quando notou que havia “crescido” (cf. Ez 16,15). É o resultado da autossuficiência dos homens que acabam pensando que podem mais sem aquele que os educou e fez crescer, e que por isso acabam o abandonando e voltando a beira da morte.
Esta liturgia da Palavra nos oferece uma profunda reflexão sobre a união de Deus para com a humanidade e de como esta união pode ser quebrada por força do pecado. Certamente já podemos perceber que o Evangelho deste dia, nos fala da legítima união entre o homem e a mulher que também é imagem perfeita desta união de Deus com seu povo.
Assim como o povo eleito rompe a Aliança feita com Deus, seu desposamento, através da prostituição e adultério, também a união conjugal rompida e na qual cada um procura outro, vira prostituição e adultério. O que pode parecer muito duro é na verdade necessidade para a permanência na união com Deus. Como o próprio Cristo nos diz: Moisés permitiu despedir a mulher (ou seja, romper o casamento) por causa da dureza do vosso coração (Mt 19,8), algo que em nosso tempo não mais é assim, não porque não exista mais corações duros, mas porque Jesus Cristo já mostrou que a humanidade pode compreender a realidade da “união fiel”.
É importante compreender bem esta frase final de Jesus. Aqueles que não entendem esta necessidade da fidelidade na união após selada a aliança, são aqueles que nunca serão aptos para o casamento, e que portanto devem assumir o conselho da vida casta e solteira. Também existem aqueles que por obrigações de suas funções profissionais e de trabalhos a qual se dedicam são obrigados a não contrair matrimônio, a estes também se recomenda a vida de castidade, pois do contrário estarão pecando. E também têm aqueles que optaram em não casar por causa do Reino de Deus, estes são aqueles que dedicam suas vidas ao serviço do Evangelho (cf. Mt 19,11-12).
Nossa consciência desta união que a humanidade têm com Deus deve nos orientar no caminho da fidelidade e da correspondência, nunca permitindo que as tentações de infidelidade e rompimento possam nos afastar Daquele que nos cria, educa e faz crescer.







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