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Sexta-feira – At 13,26-33 Jo 14,1-6

IV Semana do Tempo Pascal

Pe. Valderi da Silva

O alentoso discurso de Jesus aos discípulos nos impulsiona a termos duas atitudes em nossa vida cristã:

  1. A primeira delas é a plena confiança em Deus, pois quem nos fala é o próprio Jesus. Ele nos promete uma morada eterna, junto de Deus, e Sua palavra deve ser entendida desta forma como escutamos, pois eliminou qualquer dúvida que pudéssemos ter quando disse: se assim não fosse, eu os teria dito (Jo 14,2). Ao voltar a casa do Pai, em sua ascensão, Cristo nos coloca nos planos de Sua morada, assim como abriu as portas do Céus ao Ressuscitar, agora nos prepara a morada ao ingressarmos por esta porta com Sua volta ao Pai.

  2. Uma segunda atitude seria a de viver agora, neste mundo, com menos apego a estas coisas que aqui podemos conseguir, um desprendimento de nossa própria vida. Afinal, nossa morada definitiva, perfeita, esta lá, foi nos preparada, mas precisamos não nos atrapalharmos para chegar a ela, e isto acontece através da desobediência a Deus, por meio de uma vida moralmente incorreta; enfim, por meio de uma vida de pecado. É como pensar: Deus fez o que prometeu, executou sua parte em nossa salvação, agora Ele espera que nós façamos o que se precisa para habitar nesta morada. Este desprendimento da própria vida não é a mesma coisa que menosprezo pela vida, ou ainda indiferença pela vida. Mas uma postura desprendida daquele sentimento de importância vital para a vida, diante das coisas, pessoas e conceitos que se podem fazer sobre minha pessoa.

Esta morada eterna todos nós sabemos ser o Céu, o Paraíso, a Casa de Deus, mas este “lugar” é diferente de um local como nós tradicionalmente concebemos. Ele ultrapassa as barreiras do tempo e do espaço, por isso é mais oportuno classificá-lo como “estado”, estado em que se encontrará a alma digna de se colocar diante de Deus. Uma vez que tal alma consiga estar diante do Criador não conseguirá mais sair deste “estado” de êxtase porque neste estado se encontrará plenamente realizada. Por isso, se diz “estado”, pois, é como esta alma se encontrará no paraíso.

Mas qual é o caminho que devemos seguir para chegar a essas moradas que o Senhor nos preparou? Jesus responde: Eu sou o caminho a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14,6). Cristo, além de ser a porta por onde ingressamos no Reino Deus, é também o próprio caminho por onde seguimos, andando Nele temos a certeza de não estarmos nos direcionando para outro local que não seja Deus. Este caminho é exigente e pede de nós a cada dia. Coisas como o sofrimento diário, dificuldades na vida familiar ou social, tristezas e aborrecimentos, decepções e angustias e a própria tentação de pecar, tudo isso são como trajetos deste caminho que são mais ou menos complicados de passar, mas que nunca podemos desistir, esta é a exigência que Cristo-Caminho nos pede diariamente.

Assim como se cumpriram todas as promessas que Deus fez no Antigo Testamento, e que Paulo relembra em sua pregação na sinagoga, temos a confiança de que igualmente esta promessa de habitar junto de Deus também será cumprida.

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