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A mulher e sua dignidade

Mulher rezando Cheguei a pensar que seria fora de propósito escrever um artigo sobre a mulher sem pensar em uma data específica, como o dia internacional da mulher, por exemplo, ou mesmo algum evento ou acontecimento direcionado para o tema. Mas o que me leva a escrever mesmo assim é que a mulher – assim como o homem – tem sua dignidade própria e que parece na sociedade atual estar tão desfigurada que mesmo as mulheres não percebem o quanto contribuem ou simplesmente são vítimas, levando deste modo, sua nobre dignidade a sarjeta.

Busco inspiração na Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Beato Papa João Paulo II, Familiaris Consortio. Neste exortação, que trata do papel da família cristã no mundo atual, encontramos verdadeiras pérolas do pensamento deste santo homem, que sempre demonstrou grande amor pela humanidade mas principalmente compaixão pelas vidas mal vividas.

No parágrafo 22 desta exortação, diz o seguinte: “Deus manifesta ainda na forma mais elevada possível a dignidade da mulher, ao assumir Ele mesmo a carne humana da Virgem Maria, que a Igreja honra como Mãe de Deus, chamando-a Nova Eva”. O papa lembra a todas as mulheres que seu estado humano, que encerra em si uma dignidade oriunda do próprio Deus, quis ser assumido pelo Filho para mostrar a todos, em primeiro lugar, que a salvação é para homens e mulheres, mas também para elevar a mulher a altura de sua dignidade ainda rebaixada pelo contexto social e religioso de então. Não que ouvesse grande evolução de lá para cá, pelo contrário, às vezes chegamos a conclusão que o estado atual parece-nos muito mais decadente em relação às mulheres. O fato é que existe esta dignidade da mulher, e ela, independente do reconhecimento que se dê a ela, é de alto valor.

Uma constatação grave que o beato faz no parágrafo 24 é atualíssima: Na sociedade existe “aquela persistente mentalidade que considera o ser humano não como pessoa, mas como coisa, como objeto de compra-venda, ao serviço de um interesse egoístico e exclusivo do prazer”. Talvez podemos afirmar que a mulher seja vítima mais fácil desta mentalidade. Na maioria das vezes ela nem concorda com isso, mas acontece que nesta sociedade atual, existe uma formação para a desfiguração da real dignidade da mulher, algo que se ensina desde a infância, através de desenhos e musicas onde a mulher é tratada apenas como objeto de diversão, isso se nota nas letras e nos grupos (principalmente de pagode e foró), além da negligência de muitos pais e mães.

Incrível como infelizmente presenciamos mulheres que receberam uma boa educação acadêmica mas que sucumbem a esta mentalidade, transformando a si próprias em objetos de diversão, negociação, uso e abuso! “Esta mentalidade produz frutos bastante amargos, como o desprezo do homem e da mulher, a escravidão, a opressão dos fracos, a pornografia, a prostituição – sobretudo quando é organizada – e todas aquelas várias discriminações que se encontram no âmbito da educação, da profissão, da retribuição do trabalho, etc.” (n.24). O próprio homem e mulher, ao se enxergarem com a dignidade maltrada por tantos desvios, acabam se menosprezando, considerando-se indignos até de compaixão. Evidente que muitos conseguem recuperar-se mas sempre há aqueles que não vêem recuperação para si e se afundam definitvamente nesta sociedade que sua própria mentalidade ajudou a criar.

A mulher precisa ser encorojada a viver dignamente, conforme sua própria natureza pede. Mas para isso é preciso ao mesmo tempo que haja encorajamento, que se faça também dura e persistente luta contra esta mentalidade egoísta e luxuriosa, que vê no prazer o interesse pessoal que transforma – sem remorso – a mulher em simples coisa, objeto.

Nesta batalha pela real dignidade da mulher a Igreja não poupa suas forças, também para que a verdade sobre o ser humano sempre prevaleça sobre a maldade do pecado.

Roguemos a Virgem que oriente e anime todas as mulheres neste esforço por fazer valer a verdade sobre si neste mundo criado por Deus.

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