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Terça-feira - Is 1,10.16-20 Mt 23,1-12


II Semana da Quaresma
Pe. Valderi
Neste tempo quaresmal, estamos refletindo intensamente sobre o arrependimento, penitência e conversão. Mas acredito que ainda seja necessário esclarecer um pouco mais sobre a realidade do pecado, esta terrível ferida que se abriu na natureza humana.
Nos diz o CIC (n.1849):
O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna".
Pecando não se esta simplesmente fazendo a minha vontade, mas sim é um verdadeiro golpe contra a verdade, pois não somente fere a consciência como me faz um deturpador daquilo que é universalmente conhecido como verdadeiro. Ferindo a verdade ferimos a Deus, Verdade em si, essência do que é verdadeiro neste mundo. Mas também é uma falta contra a razão, ou seja, enquanto conhecemos o que é reto e justificável, tudo o que nos faz agir contrário a isto que conhecemos faz com que anulemos nossa razão em favorecimento de algum sentimento de prazer, vaidade, luxúria, etc.
Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Além de nos denegrir, o pecado desestabiliza a solidariedade humana, não nos deixa agir em favor dos outros, não nos deixa colocar nossa vida a disposição da ajuda aos demais nos transformando em verdadeiras ilhas de egoísmo, vaidade e autossuficiência.
O apelo do Senhor ao povo de Sodoma e Gomorra visa livrá-los desta tragédia humana que é o pecado. Por isso a convocação de Deus para que o povo se purifique para se livrar daquilo que pode ser sua ruína completa. E Deus os põe na escolha de livrar-se destes pecados ou acabarem entregues a própria sorte. O pecado é livre, isto quer dizer que o comento por decisão própria, claro que existem muitas forças agindo para perder as almas, mas a força para resistir todos temos, então é decisão minha usá-las para livrar-me do mal. Do mesmo modo temos sempre o auxilio Divino que nunca falta a quem o pede de coração humilde e sincero.
Jesus conhece o coração humano, e por isso fala com tanta sabedoria do coração destes fariseus e mestres da lei. A dicotomia entre fé e vida também pode ser vista nestes que Jesus acusa, sua vida não é expressão visível do suas palavras, tornando-os incoerentes na fé pregada e professada com a vida que levam. Isto também é consequência do pecado, pois a falta de humildade e a desobediência a Deus fazem com que o ser humano vá aos poucos se sobrepondo as leis divinas, sorrateiramente agindo como “deuses” que não estão a mercê de normas ou leis.
Quanto a vós... Jesus olha para seus discípulos e lhes mostra a real atitude a se tomar em conformidade com o desejo de Deus. Se destaca aqui a humildade como algo essencial para viver as leis de Deus e viver com os irmãos e irmãs. Quem se humilha será exaltado...não se trata de humilhar-se como se quiséssemos que todos passassem por cima, mas de fazer o menor, aquele que serve os outros, que vê na humildade do serviço a dignidade que os deixa mais próximos de Deus.


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