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PRIMEIRA ESTAÇÃO: Jesus é condenado à morte

Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Pilatos respondeu: “Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum”. Os judeus responderam: “Nós temos uma Lei, e, segundo essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”...
Por causa disto, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: “Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”...
Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Do Evangelho segundo João 19,6-7.12.16

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer a sua posição, a si mesmo, sobre o direito.

(Via Sacra de 2005 por Cardeal Joseph Ratzinger)

Tenta te colocar ali, entre aqueles judeus com sangue efervecido, põe-te no meio deles e tentes ver o rosto de Cristo, aquele que quererm matar. Vês? Ele nada faz. Não reage, mesmo quando o débil Pilatos lhe diz que poderia solta-Lo se assim o quisesse (Jo 19,10). Mas como admitir isso? Sendo que Ele, que veio ao mundo justamente para isso, agora o ver suplicar para ser solto?!

Não! Jesus sabia que seria assim. Em Sua onisciência divina compartilhada com o Pai, sondava o futuro e vislumbrava as dores que iria sentir. Mas tudo vale a alma dos justos… tudo vale tua alma… a minha alma. As dores de Cristo, desde a dor amarga e extremamente frustante da traição de Judas - um dos seus - são bálsamos de puro amor para nossas chagas profundas e incicatrizáveis. Esta dor de Cristo pela blasfêmia recebida, pelas injurias, pela injustiça é a dor de tantos irmãos nossos, que perambulam pelo mundo sem sentido para a vida, pois viram os mesmos irmãos rirem e cuspirem em seus rostos, sofreram tantas injustiças capazes de os fazer desacreditar completamente no ser humano.

Crucifica-o, crucifica-o… muitos dentre o povo somente consguiam repetir estas palavras. Talvez nem conhecessem bem a pessoa de Jesus, talvez somente ali ouviram falar seu nome. Estes certamente são figuras de outros tantos no mundo de hoje, que nem se importam em julgar e condenar sem prévio conhecimento, sendo alvos fáceis para cometer injustiças e assim jogar a margem da dignidade tantos homens e mulheres que, apesar dos erros, poderiam – e podem – se emendar e encontrar a verdadeira razão de suas vidas.

A posição de Pilatos é incomoda para ele, mas graças a seu caráter frágil e medo de enfrentar o que é preciso em prol da justiça e da verdade prefere sair sem arranhões deste julgamento entregando Jesus para ser crucificado. Os Pilatos de nosso mundo ainda exercem seu poder as custas de muitos inocentes, vítimas de interesses pessoais e materialistas, alvos do mundo consumista e nihilista em que vivemos.

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