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Casos de verão [1]

Meus amigos gostam tanto do mar, todos irão para lá neste verão. Ah, verão! Estação muito agradável apesar de preferir o outono. Não que seja melancólica, sombria ou coisa que o valha, apenas prefiro o clima mais frio com folhas caindo como se agora pudéssemos ver o esqueleto das árvores.

Enquanto meus amigos vão para as areias das praias eu vou para o verde do campo. Reconheço que há nesta minha decisão em ir para o campo uma vontade de correr contra o fluxo da maioria, como ser definida como “do contra”, como afirmam alguns de meus amigos. Mas para mim pouco ou nada importa o que pensam a respeito de minhas decisões, sendo a única coisa que me aborrece um pouco a solidão de minha ida ao verde campo de um hotel na serra do Uruguai. Este fato de viajar sozinha me deixa com muitas oportunidades para expressar minha absoluta vontade em fazer o que quero!

O campo no varão para mim estimula a leitura, chego a ler dois livros em uma semana, por isso coloquei na bagagem dois volumes de calibres medianos, Concertos Campestres de Luiz Antonio de Assis Brasil e O caçador de pipas de Khaled Hosseini. A leitura sempre foi algo integrante de meu estilo de vida, sem este hábito não sei o que seria de mim.

Bagagem, sempre uma dúvida cruel principalmente quando se têm tanta roupa como eu. Às vezes da vontade de revolucionar e sair apenas com a roupa do corpo mas acabo sempre me rendendo ao se… Algo em mim duvida que coisa tão supérfula como um monte de roupas pode contribuir para o viver saudável de alguém, quanto sofrimento pode vir pela cruel duvida do que vestir! Mas vez por outra me encontro a refletir, como alguém que gosta de filosofar, fico a pensar que algo tão epidérmico como a roupa só apareceu no mundo para desviar o ser humano de algo mais profundo, pois uma pessoa gasta tantas horas falando ou escolhendo roupas que lhe é usurpado por ela mesma o dever de pensar em si como ser humano e conhecer mais a si mesma.

Bagagem relativamente pronta, bolsa com objetos de higiêne e beleza prontos e… Ah! Faltava o passaporte. Ele estava sobre a mesa da sala, abri rapidamente como num instinto, folhei-o e vi minha foto sem grande entusiasmo e abaixo dela meu nome, Avesália Hunber.

Olho rapidamente para o relógio de parede e vejo que estou quase atrasada. Pego tudo o que arrumei e rumo para o carro, vai começar minha viagem.

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