Pular para o conteúdo principal

Bem-vindo.

Você está acessando o site do bacharel em Teologia e Filosofia, Valderi Silva.


  • image
  • image
  • image
  • image

No tempo em que os animais falavam

Quando eu era criança, grande parte das histórias começavam com duas frases: a primeira e mais conhecida é “Era uma vez...”

A segunda, e também muito conhecida do brasileiro, era: “No tempo em que os animais falavam...” Talvez esta tradição tenha começado com as fábulas de um antigo escravo, Esopo, que viveu há mais de 2.500 anos. Sua origem é também lendária; seu lugar de nascimento varia, segundo a enciclopédia consultada, da Grécia à Etiópia. Mas isso não tem a menor importância, seu legado atravessou o tempo, fez sucesso em todas as gerações, e continua vivo até hoje.

Volta e meia releio seus ensinamentos, e me parecem mais importantes que o de muitos filósofos atuais. A seguir, algumas das fábulas onde usa a raposa como tema; a força de suas histórias é tão forte que até hoje o pobre animal passou a ser sinônimo de esperteza.

A raposa e o rei macaco

Os animais decidiram que o rei do grupo seria eleito por aquele que dançasse melhor. Depois de uma grande festa, onde todos participaram, o macaco recebeu a coroa.

Ciumenta, a raposa foi passear pelas redondezas. Ali descobriu uma armadilha intacta, com comida dentro. Mais do que depressa, pegou-a e a trouxe até o grupo:

- Achei este banquete, e me vi na obrigação de entregá-lo ao nosso rei, que terá prioridade sobre tudo.

Sem pensar muito, o macaco colocou a mão para pegar a comida, e ficou preso na armadilha.

- Você me traiu! gritava ele.

- Como assim? Eu nem tentei pegar a comida! Mas pelo menos vimos que não estás preparado para o cargo; um animal inteligente jamais toma uma decisão sem antes pensar muito sobre todas as possibilidades e perigos envolvidos.

A raposa com o rabo cortado

Uma raposa caiu por acaso em uma armadilha. Conseguiu escapar, mas teve seu rabo cortado. A partir daí, passou a considerar-se monstruosa. Mas achou uma solução, ao encontrar-se com suas amigas:

- Penso que a nova moda é cortarmos o rabo. Desperta a cobiça dos caçadores, não nos serve para nada, e é um peso inútil que carregamos.

- Querida-irmã respondeu uma delas - Se tivesses rabo, estarias nos dando este conselho? Somos sábias o suficiente para saber quando alguém deseja nosso bem, ou quando está querendo apenas nos igualar às suas deficiências.

A raposa e o lavrador

Cansado de ver sua colheita sempre sendo parcialmente destruída por aquele pequeno animal, o lavrador conseguiu capturar a raposa. Sem a menor piedade, colocou aguardente em seu corpo e ateou fogo.

Sabendo que ia morrer, ela começou a correr pelo meio da colheita, e tudo à sua volta começou a incendiar-se também. Enquanto se afastava, dizia:

- Da próxima vez, procura ser compreensivo e indulgente! É melhor sempre dar um pouco do que se tem, do que querer guardar tudo! Sempre que fazemos o mal, ele termina se voltando contra nós mesmos!

A raposa e o corvo

O corvo roubou dos pastores um pedaço de queijo, e foi instalar-se em uma árvore para comê-lo. Naquele momento passava uma raposa esfomeada, que pediu um pedaço, mas o corvo fez um sinal negativo com a cabeça.

Foi então que ela começou a dizer que ele tinha todas as qualidades: era sagaz, voava, tinha uma linda plumagem negra. Só tinha um defeito: não sabia cantar como os outros pássaros.

Para provar que ela estava errada, o corvo abriu o bico para cantar, e o queijo caiu no chão. Ela o pegou imediatamente, e saiu dali, dizendo:

- Querido amigo, esse é o preço da vaidade! Quando alguém está lhe elogiando muito, deves sempre ficar desconfiado!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mário de Andrade: 65 anos de sua morte

Nesse aniversário da morte de um dos grandes gênios da literatura que nossa nação já teve, apresento um breve histórico desse homem tão ilustre para nossa bagagem cultural. *** Mário Raul de Morais Andrade ( São Paulo , 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945 ) foi um poeta , romancista , crítico de arte , musicólogo , professor universitário e ensaísta brasileiro . É reconhecido por críticos como um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX. Notável polímata , Mário de Andrade liderou o movimento modernista no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22 , além de se envolver (de 1934 a 37) com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Mário nasceu em São Paulo e construiu praticamente toda a sua vida na metrópole. Na cidade, estudou e também lecionou por muitos anos, desde cedo demonstrando sua...
  • image
  • image
  • image
  • image