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De amigos e desconhecidos

O livro de Camus

Um jornalista perseguia o escritor francês Albert Camus, pedindo que explicasse detalhadamente o seu trabalho. O autor de A peste se recusava: "Eu escrevo, e os outros julgam como entendem".

Mas o jornalista não sossegava. Certa tarde, conseguiu encontrá-lo num café em Paris.

"A crítica acha que o senhor nunca aborda um tema profundo", disse o jornalista. "Eu lhe perguntaria agora: se tivesse que escrever um livro sobre a sociedade, aceitaria o desafio?"

"Claro", respondeu Camus. "O livro teria cem páginas. Noventa e nove seriam em branco, pois não há o que dizer. No final da centésima página, eu escreveria: "O único dever do homem é amar".

No metrô de Tóquio

Terry Dobson viajava num metrô em Tóquio, quando um bêbado entrou, e começou a ofender todos os passageiros.

Dobson, que estudava artes marciais há alguns anos, encarou o homem.

"O que você quer?", perguntou o bêbado.

Dobson preparou-se para atacá-lo. Nesse momento, um velhinho sentado num dos bancos, gritou: "Ei!"

"Vou bater no estrangeiro, depois bato em voce!", disse o bêbado.

"Eu também costumo beber", disse o velho. "Sento-me todas as tardes com minha mulher, e tomamos sakê. Você tem mulher?"

O bêbado ficou desnorteado, e respondeu: "Não tenho mulher, não tenho ninguém. Só tenho vergonha de mim".

O velho pediu que o bêbado sentasse ao seu lado. Quando Dobson desceu, o homem estava chorando.

No lugar desejado

Cláudia Martins vem servir nossa mesa - num café em San Diego, Califórnia. Conheci Cláudia no Brasil há quatro anos, e conto aos amigos a vida que está levando nos EUA:

Dorme apenas três horas - pois trabalha no café até tarde, e é baby-sitter durante o dia inteiro.

"Não sei como agüenta", diz alguém.

"Existe um conto budista sobre uma tartaruga", responde uma argentina em nossa mesa.

Ela caminhava por um pântano, suja de lama, quando passou diante de um templo. Ali viu um casco de tartaruga - todo adornado de ouro e pedras preciosas.

"Não te invejo, antiga amiga", pensou a tartaruga. "Você está coberta de jóias, mas eu estou fazendo o que quero."

Descascando laranjas

Ernest Hemingway, o autor do clássico O Velho e o Mar, misturava momentos de dura atividade física com períodos de inatividade total. Antes de sentar-se para escrever as páginas de um novo romance, passava horas descascando laranjas e olhando o fogo.

Certa manhã, um repórter notou esse estranho hábito.

"Você não acha que está perdendo tempo?", perguntou o repórter. "Você que é tão famoso, não devia fazer coisas mais importantes?"

"Estou preparando a minha alma para escrever, como um pescador prepara seu material antes de sair ao mar", respondeu Hemingway. "Se ele não fizer isso, e achar que só o peixe é importante, jamais irá conseguir coisa alguma."

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